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Domingo, 20 de Novembro de 2011
APRESENTAÇÃO DE "TRANSPIRAÇÃO" – Poemas para a Juventude. 2ª. Ed. POR CONCEIÇÃO OLIVEIRA

 

Aceitei o desafio de estar hoje aqui convosco, pela razão simples de gostar da irreverência com que a Bernardete olha e diz o mundo. Essa irreverência que é possibilidade de sermos livres. Na poesia encontramos a possibilidade de liberdade em elevado grau. Porque a poesia sendo expressão de um trabalho poético, não é mercadoria, é doação. Doação que se corporiza através de um sistema de signos que comunica, a Linguagem. Quando fazemos uso da linguagem colocamos nela intenções tão diversas como, por exemplo: emocionar, persuadir, transmitir a nossa visão da realidade, as experiências... Ou, simplesmente, estabelecer contacto. Comunicar. A obra poética, Transpiração, da Bernardete Costa, configura-se como expressão dessa necessidade de comunicar, de abrir a sua intelecção do mundo ao outro. De partilhar a sua experimentação da realidade, apontando janelas de liberdade àqueles a quem, primeiramente, ela se destina, os jovens. Na sua condição de professora, mãe, mulher, lega aos que se encontram no início da construção do seu eu próprio, a chave de liberdade que a poesia potencia. E fá-lo com mestria, através de uma linguagem simplificada e plena de sentidos figurados, não se furtando à beleza da semântica para colocar ritmo e sonoridade nos seus versos. Pela poesia se estabelece o vínculo radical entre o poeta e o seu leitor. Entre a palavra e a coisa. Conexão originária entre notação e coisa. O poeta é, em última análise, aquele que se sente impelido a dizer o que o mundo lhe diz. E é isso que a Bernardete faz na sua Transpiração poética. Fala das coisas que nos situam no espaço-tempo da existência: o livro, o enamoramento, a descoberta da poesia, a paixão do mar, dúvidas, reflexos, espelho, beijo, casa, rio, vida, mãe, pai, namoro, saudade, amizade, guerra, indiferença, tempo, pássaro... A Bernardete dedica a sua dádiva aos filhos e aos meninos de ontem e jovens de hoje. Porque somos seres históricos, sociais, é no encontro com o outro que nos completamos. A autora abre a sua obra poética aos jovens, na esperança de lhes provocar “entranhamento”. O “entranhamento da irreverência”. Irreverência que a caracteriza. Essa “irreverência” que é desejável na juventude. O mundo avança ao compasso do sonho e da utopia. Sendo a utopia o que ainda não foi realizado e a juventude o tempo de todas as esperanças, de todas as utopias. O título que ela dá à obra, Transpiração, remete para a necessidade de acção. Do esforço que deverá ser colocado para alcançar a realização de sonhos e utopias. A Bernardete Costa, como todos os poetas, tem a emoção da vida instalada no corpo, e é pelas mãos, pela escrita, que liberta o que lhe vai na alma. Bem haja! Conceição Oliveira Vila Nova de Cerveira, 19 de Novembro de 2011



publicado por bernardetecosta às 18:07
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
BIOGRAFIA

Bernardete Costa nasceu em Esposende, em 1949, tendo sido registada em Barcelos, onde residiu grande parte da sua vida. Em 1975, iniciou a carreira como docente no então ensino primário. Em 1984, muda-se para Vila Nova de Famalicão, onde se estreia na escrita jornalística e literária.

O seu gosto pela escrita levou-a a publicar algumas obras literárias. Assim, em 2000, editou o primeiro livro de poemas “A Guardadora de Ausências”, com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues. A boa recepção da obra por parte da crítica, entusiasmou-a a continuar a escrever, especialmente poesia. Em 2001, publicou o segundo livro, “Lugares do Tempo”, (prémio literário da Câmara Municipal de Barcelos), em 2002, a “Insubmissão dos Afectos” e, em 2004, “Cerejas aos Molhos”. Igualmente dedicado à infância, publicou, em 2009, o livro de contos “O Doce Canto da Sereia e Outras Histórias”. Publica agora pela mão da “Atelier de letras” o livro de Poemas para a juventude “Transpiração”, com a apresentação do conceituado e jovem escritor, valter hugo mãe.

Para além destas obras, tem artigos dispersos em antologias várias e publica textos inéditos no seu blog: http://bernardetecosta.blogs.sapo.pt.

 

Bernardete Costa retornou às origens e vive, actualmente, na avenida virada ao rio Cávado, em Esposende.

 

 

“Esta Transpiração”

 

Estive por estes dias a reler alguns livros da Matilde Rosa

 

Araújo e a pensar na adequação dos mesmos ao público mais jovem.

 

Diz-se tanta coisa acerca do que se exige a um texto para

 

um público ainda em idade de formação, há quem entenda que

 

a diferença não deve ser nenhuma com o que se escreve para um

 

público adulto, pois eu entendo que deve, sim, existir diferença.

 

Os textos para um público em idade de formação devem, por definição,

 

ser formadores, devem conter valores basilares à universalidade

 

dos homens, valores que sirvam a esse ideal sempre necessário

 

de humanizar, dotar um indivíduo de sensibilidade bastante

 

para o que significa ser-se pessoa, viver-se como pessoa, viver-se

 

com pessoas. Ainda que o mais lúdico dos livros possa parecer

 

não defender valor algum, o importante é que não deforme, porque

 

proporcionar o lúdico já é em si um feito bastante e válido e a

 

deformação havia de ser crime.

 

Falo na coincidência de ter andado a ler a Matilde Rosa

 

Araújo porque a amo como se amam as figuras benignas da nossa

 

instrução, como se amam os autores dos livros que nos fizeram

 

melhores, mais conscientes enquanto nos ajudam a ser felizes, e

 

falo dela porque ao ler os novos poemas da Bernardete Costa foi

 

essa mesma benignidade que encontrei, uma vontade genuína

 

de estabelecer com o leitor um apelo à consciência, uma consciência

 

enternecida com a vida e que pretende escolher da vida um

 

equilíbrio com a sensibilidade, a boa memória, para que possamos

 

ser mais felizes. Para que, ao menos, sonhemos ainda com ser

 

felizes, sonhemos com chegar mais vezes à felicidade.

 

 

 

Esta Transpiração será o esforço de cada momento, de cada

 

tempo, porque atravessamos o livro como por uma vida inteira e

 

por quanto ela nos cobra mas também retribui. Atravessamos o

 

livro a conhecer o que o sujeito poético recupera, o que assinala

 

como memória principal, o que define, o que compõe inelutavelmente

 

um percurso emotivo e preocupado. Acredito sempre

 

que a vida parte de uma premissa de dificuldade, vejo as coisas

 

assim, e o que podemos fazer é debelar as dificuldades para que,

 

no resultado, valha a pena estar aqui. Esta Transpiração é, por isso,

 

uma manifestação desse esforço, mas nunca uma assunção do

 

cansaço. É porque vale a pena, estes poemas escrevem-se porque

 

valem a pena, e nunca para um lamento.

 

Não será indiferente o ofício de professora que a Bernardete

 

Costa tão bem conhece, esse ofício de administrar informação

 

e realçar-lhe o que importa, o que favorece cada indivíduo na expectativa

 

legítima que cada indivíduo tem de se enriquecer. E o

 

enriquecimento, afinal, é interior, pensado como um património

 

de base sobre o qual tudo o resto se constrói. O que a autora faz

 

é mapear as suas fundações, o que, de tão grande ou tão ínfimo,

 

constitui a sua identidade afectiva, a sua mais preciosa identidade,

 

e com isso apela de modo livre a que cada leitor se proponha o

 

mesmo. É impossível que não pensemos na nossa própria janela

 

quando diz sobre a sua, na nossa própria mãe, pai, nos nossos

 

natais ou no país e nos namoros, e no que vemos ao espelho. É,

 

efectivamente, uma chamada ao espelho feita por esse lado de

 

comum emotividade que a todos nos assiste ou deve assistir. A

 

expressividade dos textos de Bernardete Costa procura a emotividade

 

possível na palavra, uma honestidade e, ao mesmo tempo,

 

uma singeleza que atribuam às palavras a verdade em sua essência.

 

            A verdade em sua essência é o fazer-nos sentir. Se as palavras

 

forem capazes de chegar ao outro não apenas como algo que se

 

torna inteligível mas como algo que se torna sensível, então a poesia

 

consuma-se e o gesto do poeta é recompensado, não tanto

 

porque o poeta se despiu mas porque foi o próprio leitor que se

 

sentiu despido, sentiu-se ao espelho, vivo, honesto diante também

 

da sua identidade afectiva, a sua identidade mais preciosa.

 

A poesia expressiva de Bernardete Costa faz com que uma

 

partilha se coloque sobretudo como uma intensificação no leitor

 

das suas próprias questões. O leitor de poesia, quando a poesia

 

sucede, tem de ser sempre um indivíduo intensificado. Acontece

 

aqui assim, da partilha até nós próprios, cada um já recolhido à

 

sua intimidade regressa da leitura como se enternecido também

 

pelas suas memórias, pelas suas referências e por esse transpirar

 

constante que, mais do que cansar, nos revela a resistência e a

 

capacidade de persistir. Quando voltamos destes poemas trazemos

 

como que à tona da percepção o nosso itinerário emocional,

 

aquele que fazemos com recurso às grandes e ínfimas coisas a partir

 

das quais nos reconhecemos. Com isto, com este exercício de

 

ler, estamos como que agarrando nas mãos, de uma só vez, tudo

 

quanto nos importa e voltamos à possibilidade de decidir o que

 

vem depois. Decidimos o que somos depois. É fácil de entender

 

porquê. Porque aprendemos sobre nós. Estamos em formação, e

 

falta sempre qualquer coisa para saber, falta sempre qualquer coisa

 

para intensificar.

 

Gosto de pensar que os poetas ainda vivem com a utopia

 

de mudar o mundo, porque gosto de pensar que, nem que

 

para apenas uma pessoa, um livro se põe como mudador e a vida

 

passa a ser um bocadinho outra coisa. Sobre a janela ou sobre a

 

mãe, o pai, o país ou os namorados e mais o espelho, este livro é

 

a oportunidade de nos inteirarmos do que sentimos e do que podemos

 

fazer para nos sentirmos melhor. Com isso, se não mudar o

 

mundo, podemos mudar nós.

 

 

 

valter hugo mãe

 

 

 

 

 



publicado por bernardetecosta às 19:34
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
SOBRE "CEREJAS AOS MOLHOS E "O DOCE CANTO DA SEREIA E OUTRAS HISTÓRIAS, PELOS MEUS LEITORES MAIS PEQUENOS E CRÍTICOS...

 

SANTA MARTA DE PORTUZELO, 6 DE DEZEMBRO DE 2010

Querida escritora,

Seja bem-vinda à Escola E.B.2.3/ S Pintor José de Brito. É com muita honra que a recebemos nesta escola.

Adorámos conhecer as suas histórias de “O Doce Canto Da Sereia e Outras Histórias e os poemas de “Cerejas aos Molhos”.

Quando a professora nos leu as histórias, achámos graça que alguns desses poemas falassem de alguns meninos e meninas que têm nomes como nós: Carolina, Luís, Gonçalo, Mariana, Raquel, Ana, Ricardo, Miguel, Ruca, Vítor… Meninos e meninas que se magoam, choram, riem, jogam à bola e participam no Halloween.

Ficámos também muito contentes quando, numa manhã de Outono, a professora nos leu os seus poemas. E, para nós, o Outono também é colorido: amarelo, vermelho e doirado.

As histórias também são fantásticas. Em “O Doce Canto da Sereia, a Sereia está aprisionada por um monstro. Ao tentar fugir quase que fica sufocada devido a um feitiço. E, no fim, é salva por um menino que vai ser o amor da sua vida.

“Tecedeira de Luz” é outra história do livro que trata de uma fada que nunca sai do seu quarto, sempre a tecer fios de luz até ficar presa por eles.

“O Tesouro Esquecido” fala de um casal muito feliz. Passado algum tempo, o protagonista da história não tem palavras para dizer à mulher. Então, deixam de conversar. Por fim, uma bruxa dá-lhe três provas para ele encontrar as palavras certas.

Em o “Halloween no Bosque”, há três animais que tentam pregar um susto a um rapaz, mas o que eles não sabem é que o rapaz tem um fantasma amigo, o Bric. Assim, o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

Consigo aprendemos que a leitura é um bem essencial à vida.

Esperamos que escreva ainda muitos mais poemas e histórias para nós, porque assim também podemos brincar com a magia das palavras.

Um grande beijinho dos alunos da Turma do 5º D.

 

 

 

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publicado por bernardetecosta às 19:04
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Sábado, 20 de Novembro de 2010
SOBRE O CONTO - "As cores do meu mundo"
Parabéns, Bernardete. Esta sua história é verdadeiramente genial e tocante quer pelo entrançado e beleza das cores que ressaltam da narrativa, quer pela riqueza de sentimentos que escorrem das memórias das falas da(s) protagonista(s). Fiquei sinceramente comovido com a ternura e o afecto vertidos neste texto e agradecido pela dádiva de tão excelente escrita.
Muito obrigado!


Rafael Marinho



publicado por bernardetecosta às 23:09
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SOBRE O CONTO - "As cores do meu mundo"

 "As cores do meu mundo". Trata de uma realidade actual com uma sábia e agradável leveza, apesar da tristeza do tema de fundo. Denota a sensibilidade de alguém que se coloca no lugar do outro, procurando retirar desse enlace a esperança possível. A face "colorida", no quadro negro. O captar de pequenos feixes de luz que emergem de um mundo encerrado na escuridão. 

 

Conceição Oliveira, mestre em Ética e Filosofia Política



publicado por bernardetecosta às 23:01
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
SOBRE “A GUARDADORA DE AUSÊNCIAS”

(…) surge-nos, pela chancela da Campo da Letras, o belíssimo livro sugestivamente intitulado de A Guardadora de Ausências (com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues). O que prende neste livro, o que cada poema nos traz, é a profunda consciência de que deparamos com uma autora inebriada de fina sensibilidade. Da mesma forma (…), não hesitaria em sublinhar a notória qualidade dos poemas de Bernardete Costa. Recomendo vivamente (e antes de mim o prefácio de Urbano Tavares Rodrigues) que quem goste de boa poesia descortine, na cadência de cada verso, melhor de cada palavra, as Ausências que esta Guardadora encerra e rasura…

A arte inquieta que deflui de uma escrita que me lembra a plena presença de um escultor; modela a minúcia de cada parte sem esquecer a clarividência do todo da matéria. Podemos, de resto, ler as ausências como o micro-texto que cada poema é (uma obra de arte) ou antes conduzidos pelo horizonte da galeria de uma leitura de índole macro-textual. Quer num percurso quer noutro reside uma voz esteticamente esclarecida. Acusa-se um poetisa de raiz, como diria Urbano Tavares Rodrigues.
 
 
Sérgio Sousa
Professor Universitário
(Jornal Cidade Hoje, Vila Nova de Famalicão)


publicado por bernardetecosta às 21:28
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
SOBRE "OS LUGARES DO TEMPO"

Sabes?, um outro tempo e outro lugar clamam

a água, o verde, a sofreguidão do sémen,

a insidiosa curva dos meus braços.

 
(Pg. 1) 
 
Assim começa o primeiro poema e se equaciona o teor do livro todo; de um livro que, falando dos lugares do tempo, é do amor que plasma as mais maravilhosas imagens, os cânticos mais fervorosos. A exaltação do tu na dádiva do eu, através do “insurrecto alfabeto das paixões” (pg.9) ou da “insurreição dos silêncios que me habitam” (pg.17). Silêncios grávidos e solidões expectantes de uma liturgia celebrada na “clarividência dos afectos consumados” (pg. 22). Esse tu que “procura a foz onde emergem/ os doces queixumes do sangue (pg. 30), imagem reflectida do eu e elo inextricável de um de nós pleno e absoluto. “Adormeço em ti e busco-te no bálsamo/ que há-de fazer renascer o meu corpo”. (pg.4)
 
Estamos perante um discurso amoroso levado ao limite do seu estatuto e da sua observância; um discurso assumido no feminino, na justa medida em que a feminilidade experimenta uma sentida, original e poética enunciação do amor.
Discurso que, expurgado de floreios retóricos, redutoras pudicícias, só na poesia poderia encontrar a sua mais cristalina e genuína expressão.
 
Já em A Guardadora de Ausências (1) as palavras do poeta valem “pelo ruído fresco dos versos, que gotejam os sons e os silêncios do amor”, como bem observa Urbano Tavares Rodrigues; valem pelo que exaustivamente induzem: “ a volúpia estranha da espera” (pg.11) e “a voluta etérea do desejo” (pg.43); “as douradas areias” (pg.29) e o “território virgem” (pg.21 e 61) da ausência, numa vigília prenunciadora da apoteose do encontro e da comunhão, do “êxtase do regresso” (pg.61) e da “febre e vertigem dos prodígios”. (pg.9).
 
Bernardete Costa, pelo que estes dois títulos permitem vaticinar, levará a pulsão erótica a níveis de excelência lírica comparáveis ao que de melhor, no género, a poesia portuguesa já alcançou através de Florbela, de Judith Teixeira, de Natália Correia e Maria Teresa Horta, entre outras.
 
Pelo fôlego e sensibilidade patenteados, pelo domínio revelado das técnicas e das tendências da modernidade, nada, na sua poesia, denota vícios ou limitações de amadorismo e iniciação. Estes Lugares do Tempo, esta incursão pelos santuários reais ou imaginários de celebração nupcial, justificam, em suma, o certificado de qualidade de uma poesia que, não sabemos por que pruridos ou obstáculos, só agora se dá a conhecer. Porque não há dúvida de que Bernardete usa de sinceridade quando confessa ser a poesia “a recôndita ave do meu corpo”. (pg.11)
 
(1)   A Guardadora de Ausências – Ed. Campo das Letras, Porto, 2000
 
 
Cláudio Lima
Novembro, 2002


publicado por bernardetecosta às 17:41
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SOBRE "OS LUGARES DO TEMPO"

Sobre os "Lugares do Tempo"

 
(…) Os seus poemas, os deste livro, não diferem – pelo tom, pela música (“embaixadora do poema”; Vivaldi é a batuta…”) e pela autenticidade – dos de “A Guardadora de Ausências”. E é de “ausências”, ainda que eles, os poemas falam.
Também Proust, com a varinha mágica das palavras, andou “em busca do tempo perdido”.
E esse, parece-me, o papel do escritor, do poeta: remexer “as areias depositadas pelo tempo”, “ilumina(r) (o recanto mais escondido) das lembranças”, lá onde estão guardados (onde foram “traçados”) os “hieróglifos da ternura”.
 
Albano Martins
30 de Abril, 2001
 
 


publicado por bernardetecosta às 12:47
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